Sobre Einstein e o universo feminino.




Momento reflexivo da blogueira.
Uma roupa para todos os dias úteis do ano.




Outro dia li algo que me chamou atenção, em se tratando do universo feminino. 

Matilda Kahl,  diretora de arte em uma importante agência americana, decidiu, há mais de três anos, usar a mesma roupa para ir trabalhar e não ficar ansiosa na frente do espelho todas as manhãs. Desde então, há mais de três anos, veste calça preta, uma camisa branca e um lacinho na gola para dar um charme.

Se a gente puxar pela memória, vai lembrar de ter lido, em algum lugar, que Einstein usava as mesmas roupas todos os dias, porque não queria desviar sua atenção do que considerava de fato importante na sua vida científica.

O mesmo acontece com Mark Zuckerberg, que não varia muito quando o assunto é roupa. Ao ser questionado porque sempre está de camiseta cinza, diz que quer tomar o menor número possível de decisões sobre qualquer coisa, exceto sobre a melhor forma de servir à comunidade do Facebook.

Mas eles são homens!! No geral, querem simplicidade. 

Mas e Matilda? Matilda, não. É mulher. E aí, pensei: será que eu, mulherzinha que sou, conseguiria me despir da vaidade deste jeito???

Porque convenhamos que escolher usar a mesma roupa todos os dias, por mais de três anos, é despir-se completamente de qualquer vaidade!!!  

Fala sério que você não gosta de colocar aquele casaco novo e receber um elogio do colega de trabalho!!! Ou quando compra uma bolsa nova e a “miga” quer arrancá-la de você!!! Ou então quando a gente tenta algo mais inusitado (uma mistura pouco usual de estampas, por exemplo) e as pessoas dizem: Nossa, só você mesmo para conseguir fazer isto tão bem!!!
As feministas que me perdoem, mas gostamos sim de elogios.

Mas engana-se quem pensa que nos alimentamos somente de elogios externos. Não mesmo!! 

Delícia quando a gente coloca aquela roupa nova que namorou na vitrine e se vê linda diante do espelho dizendo: You rock,  baby. O endoelogio (dá-lhe neologismo!!!) é o melhor e mais eficaz de todos eles. Vem de dentro e é verdadeiro. E mesmo não sendo tão verdadeiro assim (algumas vezes a gente finge acreditar), produz efeitos que só a física-quântica consegue explicar. "You rock, baby" ressoa por todo o universo.
É claro que nós não somos só isto: só casca, só pele, só visual... mas somos isto também.

Temos conteúdo sim!!! Lemos, estudamos, fazemos mestrado, pós-doutorado.  Escrevemos livros, fazemos cálculos matemáticos complexos e nos infiltramos em mundos “eminentemente” masculinos. Transitamos entre a psicologia, as ciências atuariais e o zen-budismo com a mesma naturalidade com que mexemos no cabelo. Mas damos gritinhos de alegria frente a uma cor nova de batom ou quando aquela bota que tanto amamos entra em liquidação.

Tudo isto para dizer que não quero me despir de vaidade alguma. Quero continuar tendo aquelas crises existenciais na frente do espelho pela manhã, porque isto revela muito mais de mim do que os poemas que escrevi. Quero continuar na dúvida entre o azul Klein e o azul Tiffany, enquanto balançam minha perna dizendo que o leitinho acabou.

Estas preocupações “bobas” sobre parecer bem diante dos outros, sobre vestirmos a roupa adequada, sobre estarmos ousadas demais naquele decote, faz parte do nosso crescimento como mulher.

Hoje em dia, me preocupo muito menos diante do espelho do que há 10 anos atrás. Mas tivesse eu adotado um uniforme como escolha pessoal, meu crescimento interior teria sido menor. Não teria mantido aquela terapia com o meu espelho, sabe?

(Márcia) Ah, nem... este vestido mostra minha barriga como ninguém. Cruzes...
(Espelho)- Lembra que você adquiriu esta barriguinha depois das gêmeas??? Valeu a pena, não valeu??
(Márcia) – Jesus amado... esta blusa me engorda horrores.
(Espelho) – Quem te engorda é o que o você come, não a blusa. Se liga, “miga”!!!  
(Márcia) – Não tenho nada que me sirva neste armário.
(Espelho) -  Seja realista. Nada te serve porque você não está em um bom dia. Tá chata, nervosa, ninguém te aguenta. Nem você mesma. Vai lá fora, grita bem alto e volta aqui. Você vai ver como sua perspectiva vai mudar.

Bem assim...
Quero continuar, caras leitoras, experimentando minhas crises existenciais matinais diante do guarda-roupa, até que elas se transformem em  “leves espasmos” existenciais... menos intensos, menos arrebatadores...
Mas ainda estarão lá, me mostrando - sem qualquer pudor - que ainda há muito a amadurecer.

Boa semana pr'cês!!!





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